Um dos motivos que me levaram a fazer as meias toe-up (as do último post) foi pra testar este arremate:
O problema foi que eu tinha tanta coisa pra falar (várias das quais eu esqueci), que acabei deixando o vídeo acima de fora.
Um dos motivos que me levaram a fazer as meias toe-up (as do último post) foi pra testar este arremate:
O problema foi que eu tinha tanta coisa pra falar (várias das quais eu esqueci), que acabei deixando o vídeo acima de fora.
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Ano passado, logo depois que eu comprei minha primeira roca, uma grande amiga me mandou um pacote cheio de fibras pra eu testar.
A maioria das fibras está guardada, esperando que eu melhore pra poder fia-las. A da foto aí do lado, não deu pra esperar. Merino e seda (que delícia!), na cor preferida do bonitinho.
Esta fibra foi uma das poucas, até hoje, que eu sabia o que iria vir a ser depois de fiada. O bonitinho queria meias, já que as que eu tinha tricotado pra ele antes (quer dizer o par que ele usou) furaram.
Eu fie a fibra ano passado e coloquei na minha caixa de lãs pessoais (as que eu não vendo). Os dois novelos que obtive ficam lá, guardados, esperando eu voltar a tricotar meias.
A oportunidade(e vontade) pra finalmente tricotar as meias surgiu qndo estavamos planejando a viagem ao Brasil. Eu queria levar um projeto portátil, que não ocupasse muito espaço, fácil de memorizar. Eu queria tb mostrar os fios que estava fazendo pra algumas pessoas, então juntei a fome com a vontade de comer, escolhi um padrão de cordas bacana e montei os pontos antes de viajar.
Na semana que passamos lá, apesar do pouco tempo que tive pra tricotar, consegui fazer o pé, calcanhar e metade da perna de uma meia.
Depois de colocar as coisas em ordem na casa, resolvi trabalhar na meia novamente, já que o tempo está esfriando por aqui… Pedi pro bonitinho provar a meia e a bendita estava muito apertada.
Depois de vários ajustes, com a paciência acabando, resolvi fazer um par de meias simples:
Aproveitei que as meias eram simples pra treinar algumas técnicas. Montei 20 ptos nas agulhas circulares, pois eu queria treinar magic loop, já que eu prefiro fazer meias do cano pra baixo em jogo de agulhas de duas pontas. Fui aumentando 4 ptos (1m,aum,tricota até ter o penúltimo pto,aum,1m) a cada duas carreiras, até ter 72 ptos no total (36 em cada lado da agulha circular).
Daí pra frente, tricotei em barra 2/2 na frente e em meia atrás até obter o comprimento que eu queria – uma dica da Fleegle, pra saber qndo começar a fazer o calcanhar, meça a distância entre a ponta do dedo indicador e a base do polegar. (mais dicas aqui, em inglês)
O calcanhar foi feito em short row, e mais uma vez aproveitei a sabedoria infinita da Fleegle pra obter um calcanhar sem furinhos. Mesmo sem saber inglês, dá pra entender já que o post é super bem ilustrado. (se mesmo assim vc precisar de uma tradução, use o Google).
Conforme eu fui tricotando estas meias, fui percebendo que tem um monte de detalhes que poderiam ser feitos diferentemente. Pretendo revisar essa receita básica, adicionar alguns detalhes e fazer outro par, mais ao gosto do bonitinho.
Esta minha volta às meias está sendo um processo de auto-análise, onde vou descobrindo meus pontos fracos, minha ignorância. Encarei o magic loop e agora não é tão desagradável qnto há algum tempo atrás, então resolvi tentar outros tipos de calcanhar.
Acredite se quizer, eu tenho 3 pares de meias feitas a mão – 2 que eu fiz qndo descobri receitas de meias na internet (e não calçam bem) e 1 que eu ganhei numa troca. Resolvi, então tricotar um par pra mim: que calce bem, com um tipo de calcanhar que eu ainda não tinha feito antes.
Pra evitar que eu me distraisse com um ponto interessante e não prestasse atenção na construção das meias, fui de barra 2/2 novamente.
Montei 16 ptos (de novo: toe-up, magic loop) e aumentei 4 ptos a cada 2 carreiras até ter 56 ptos total. O calcanhar que eu escolhi é chamado half handkerchief ou V-heel (primeiras duas fotos aqui).

Pra fazer esse tipo de calcanhar, primeiro é necessário tricotar uma aba. Eu já tinha tentado uma técnica semelhante antes, mas o resultado foi desanimador. Ao tricotar esta meia entendi o porque do fiasco anterior: meus pés são “magrelos” e as abas são calculadas pra pessoas com biótipo diferente.
Aqui abro um parênteses: entender uma receita e seguir cegamente as instruções são duas coisas completamente diferentes. Se vc quer meias que calcem perfeitamente, vai ter que entender como elas são construidas e estar disposta a modificar (de montão, desde o número de pontos até as medidas indicadas). Caso contrário, vc terá meias que são iguaizinhas as da receita que vc está usando, mas que muito provavelmente não calçam bem.
Quer meias perfeitas tricotadas à mão? Separe agulhas, lã, uma caderneta, caneta, fita métrica e calculadora e prepare-se pra tirar medidas, anotar detalhes, fazer contas e principalmente, amostras.
Como eu tinha dito, eu tentei fazer meias com abas antes e não gostei do resultado. O que eu não mencionei é que nunca tinha tentado com toes-up. Desta vez deu certinho!
Porque deu certo? Uma série de motivos levaram a esse resultado: hoje em dia eu entendo melhor a construção de uma peça de tricot e ao invés de deixar a preguiça tomar conta e fazer exatamente o que a receita manda, eu medi meu pé, fiz contas, tricotei e desmanchei até obter o resultado que eu queria.
Como nas meias pro bonitinho, ainda estou descobrindo algumas coisas, ajustando alguns detalhes. Na foto abaixo vc vai notar que o calcanhar é diferente – eu fiz diminuições em locais diferentes pra ver qual resultado eu gostava mais.
Como toda ajuda é bem vinda, aqui vc encontra uma tabela com os números de ptos que precisam ser trabalhados em vários tipos de calcanhar.
Vou fazer mais algumas experiências (e ganhar meias novas no processo
), tentar a bendita aba em meias tricotadas da perna pra baixo, adicionar ptos mais interessantes etc..
Uma dica: se vc quer um tipo de calcanhar que sempre dá certo, eu recomendo short row. É rápido, fácil e infalível.
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Semana passada eu fiz feijoada. O bonitinho gosta etc e tal, mas o verdadeiro motivo foi para obter a água na qual o feijão preto ficou de molho.
Há quase um mês venho acompanhando uma discussão no Ravelry sobre tingimento com feijão preto.
Segui todas as instruções que li, me diverti a beça e agora vou deixar aqui algumas coisas que observei.
O pessoal no Ravelry usou uma quantidade absurda de feijão. Como eu sei que corantes obtidos apartir de plantas é menos intenso que os que a gente compra, coloquei 1kg de feijão de molho. Não sei a quantidade de fibra que o povo vai tingir, mas pras minhas experiências, um kilo foi mais do que suficiente. Com essa quantidade, obtive mais de 4 litros de líquido.
Fibras vegetais e artificiais (eu testei com bambu e rayon) absorvem melhor a cor e o resultado é uma cor mais “saturada”. Eu testei tb com lã superwash (que absorve cores mais rápido que lã comum). A cor final é mais pálida.
Uma das coisas que chamou minha atenção é o fato que o líquido do tingimento não fica “limpo” como qndo uso corantes comerciais.
Esta foto mostra melhor as cores que consegui (lilás). No momento a última metade desta fibra está na roca sendo fiada.
Outra coisa interessante é que a cor muda de acordo com o ph. O líquido do molho é escuro, quase preto, com um tom avermelhado qndo se olha contra a luz. A cor obtida na fibra é azul que varia desde azul cobalto até azul anil claro dependendo da fibra.
Quando se adiciona ácido ao “molho”, a solução se torna rosa ou vermelha (qnto mais ácido, mais vermelho). Pra obter o lilás da fibra acima, eu mergulhei numa solução fraca de ácido cítrico – ficou muito rosa – voltei pro molho e adicionei bicarbonato de sódio.
Qq dia desses, vou fazer um teste mais científico, dosando os ingredientes, pra descobrir quais as cores que posso obter.
Uma estória “triste” com final feliz: há algum tempo atrás eu comprei um pouco de firestar (uma fibra de nylon com brilho). Nylon tinge da mesma maneira que lã, mas o pacotinho estava de lado já que eu não tenho como cardar as fibras.
Outro dia resolvi tingir sem cardar, colocando a fibra lado a lado com lã. Foi outro experimento, pra testar se aquelas pedras de anil servem pra tingir. Do jeito que eu fiz não deu certo, tive que adicionar corante comercial…
Não consegui a cor que eu queria, mas a lã feltrou. Já que as fibras não estavam misturadas, consegui salvar o firestar. Juntei um pouco de lã branca e deu nisso:
Já está disponível na minha lojinha no Etsy. Recomendo que vc clique na imagem pra ver no tamanho original – o brilho é difícil de capturar em fotos…A lã é laceweight, mas devido ao firestar é mais pesada que as lãs comuns.
Aproveitei que estava atualizando a loja e postei mais um (na verdade dois) novelo:
Este é um sockweight, 3 cabos, superwash, próprio pra meias.
Antes de ir pro Brasil, eu fiz 3 fusos pra dar de presente.
A coisa foi tão corrida que só tive tempo de entregar um:
Agora é vigiar o blog dela pra ver como a fiação vai indo
Pra terminar, deixo uma foto de uma lã que fiz por encomenda. Ela compra a fibra, manda pra mim e eu fio de acordo com a preferência dela (se vc quizer, posso fazer o mesmo pra vc).

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Já fumo, já vortemos e agora é colocar as coisas em ordem. Vou esperar alguns dias até fazer um update básico na lojinha, pq ainda estou meio passada com a viagem e não deu tempo (ainda) de fazer nada novo.
Tirei um monte de fotos do alvorecer – pra usar de referência na hora de tingir, mas não consegui nenhuma de por-do-sol…Vou roubar da Solange ;P
Por falar nela, eu tive o imenso prazer de conheçe-la ao vivo e a cores
. Tá bom que foi rapidinho, mas valeu cada segundo que passamos juntas. E a moça ainda trouxe pra mim um presentão!
A viagem foi cansativa, mas muito boa. Deu pra recarregar as pilhas direitinho. Comprei algumas coisinhas que eu queria tentar pra tingir. A curiosidade era tanta que tentei ontem mesmo. Vou centrifugar a fibra daqui há pouco e ver se deu certo. Agora deixa eu desligar o computador pq ainda tenho muuuuuuuuuuuuuita roupa pra lavar e um monte de pacotes pra embalar – presentes indo pra todo lado.
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Nestes últimos 2 anos tenho viajado muito; pequenas viagens, 3 dias, 1 semana…O problema é que tinhamos horários fixos, coisas pra fazer, lugares onde deveriamos estar. Nenhuma delas foi por escolha própria, e sinceramente, pra mim férias significam fazer o que eu quero, qndo eu estou afim. Então, pela primeira vez em mais de dois anos, estamos indo pra um lugar que eu escolhi, sem gente me olhando feio pq estou menos de 5 minutos atrasada pra chegar.
Nos próximos dias vou ficar afastada do blog e como os comentários precisam ser aprovados, vão demorar um pouco pra aparecer.
A lojinha está de “férias” tb. Se vc precisar me contactar pelo Etsy, vai receber uma resposta padrão (em inglês). Espero voltar com algumas inspirações e idéias novas, tanto pra cores qnto pra designs. Mas vc vai ter que esperar um pouquinho, já que vou ter que refazer o estoque.
Vou tranqüila, sabendo que a Mizia já recebeu a encomenda dela. Espero voltar relaxada e com as malas cheias
. Inté.
Publicado em Nada a ver | 3 Comentários »
Esta é a sacola antiga que o bonitinho estava usando. Se vc prestar atenção, vai ver que a alça está rompendo.
Ele vinha me pedindo já há algum tempo pra fazer outra pra ele e qndo eu vi essa receita no Ravelry, não tinha mais desculpa pra não tricotar.
A bolsa que a K está usando como cama foi feita usando esta receita. Eu fiquei devendo fotos dela, pq assim que secou, o bonitinho começou a usar e cadê que eu pude fotografar…Agora está tão gasta (e foi lavada tantas vezes) que as cordas praticamente sumiram.
E aqui eu abro um parênteses pra falar um pouco sobre feltragem.
A primeira bolsa feltrada que eu fiz foi a Cabled bag, da revista Interweave Knits. A receita pede pra bordar em ponto atrás (se não me engano) ao redor das cordas pra dar realce.
A prequiçosa aqui simplesmente ignorou as instruções. Devido a uma combinação de sorte, escolha das lãs e uma lavadora de roupas frontal, a feltragem foi apenas suficiente pra dar “corpo” à bolsa.
Qndo fiz a sacola pro bonitinho, confiei que o resultado seria semelhante. O problema é que feltragem é um processo contínuo, quer dizer, cada vez que a gente lava o trabalho, feltra mais um pouquinho. E no caso da sacola, as cordas acabaram desaparecendo.
Primeira dica: se vc precisar lavar um objeto feltrado, vc tem duas opções:
1. lavar a mão com água fria (como eu expliquei no post sobre blocagem), ou
2.após tirar a peça da máquina de lavar, é preciso re-modelar a peça do mesmo jeito que vc fez na primeira vez.
Pra modelar uma peça feltrada, vale quase tudo. Qndo eu quero uma forma mais arredondada, eu uso sacolas plásticas – tantas quantas forem necessárias pra estufar bem a peça. Se o seu trabalho não estiver bem “recheado” vai ficar com ondulações na superfície. Qndo eu quero ângulos mais pronunciados, uso caixas de sapatos e pedaços de papelão.

Puxe, empurre, arrume o “recheio” até estar na forma que vc deseja e deixe secar.
Segunda dica: “Se é lã de carneiro (ou outro animal) vai feltrar.” Não é bem assim…Por exemplo, lã superwash não feltra (pelo menos nào deve). Se o fio que vc está usando é uma mistura de fibras, vai depender da percentagem de lã. Mas o mais importante é que lãs diferentes vão feltrar de forma diferente:
Na foto ao lado vc pode notar que a textura da parte de cima é diferente da parte de baixo. Foram usadas duas lãs diferentes e deu nisso. Todas as duas feltraram, mas se vc pode ver na primeira foto deste post que a parte bege não feltrou muito bem, e é provavelmente o motivo pq as alças estão rompendo.
Esta bolsa marrom foi feita com 3 fios, dois deles comprados prontos. O terceiro (e mais escuro) foi fiado por mim.
Eu mudei quase tudo na receita, não pq eu não goste do resultado original, mas pq o uso da que fiz é diferente. A minha versão tem uma aba (o medalhão se repete na parte de trás), dois bolsos internos e um lateral pra carregar uma garrafa.
Desta vez eu bordei ao redor das cordas. Nas fotos é difícil notar, mas ao vivo e a cores, as cordas estão muito mais realçadas que minhas prévias tentativas. Vamos torcer que com futuras lavagens elas se mantenham.
No mais, tudo na mesma = na bagunça. Espero poder dar uma organizada geral nas coisas em umas duas semanas. Preciso escrever a receita pro Summer Stonington Shawl, terminar de tricotar uma receita nova, publicar a dita cuja e trabalhar um pouco mais numa nova fibra que estou testando.
Publicado em Feltragem, Tricô, tricot | Tagged bolsa, dicas, Feltragem, Tricô, tricot | 3 Comentários »
Tá vendo a trouxinha aí do lado? Esta é Gail sem blocar. Vamos começar do começo pq tem muita gente por aí que não sabe o básico do básico.
Primeiro vc tem que lavar o bicho. Por mais cuidado que vc tome qndo está tricotando, óleos e sais vão passar da suas mãos pro trabalho (a não ser que vc tricote usando luvas). Então tem que lavar sim. Esses óleos e sais, com o tempo, vão amarelar e danificar seu tricot.
Com os meus trabalhos em crochet, eu jogo dentro da máquina de lavar e tamos conversados. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto…tricot é outra estória.
Porquê? Qndo a gente tá fazendo crochet, cada ponto é trabalhado com fio duplo – e é por isso tb que uma peça em crochet nunca será tão etérea qnto uma em tricot, o trabalho é sempre um pouco mais encorpado. No tricot, o fio não dobra sobre si mesmo como no crochet e o resultado final é mais delicado e frágil.
Então vamo lá, vamos lavar o bicho ( e isso vale pra qq fibra). Em um balde, bacia ou tanque, coloque água fria* e dissolva um sabão suave de sua preferência – eu uso shampoo, pq sabão de coco aqui é difícil de encontrar. Agite a água pra fazer espuma e coloque seu item na água. Evite agitar seu trabalho dentro da água, principalmente se vc usou lã de verdade (assunto pra outro post).
Deixe o bichinho de molho por no mínimo meia hora (eu costumo deixar de um dia pro outro). Tire seu trabalho da água e esprema (por favor, não torça) o excesso de água e sabão.
Encha o recepiente (balde, bacia etc..) com água limpa e mergulhe o tricot algumas vezes para tirar o sabão. Repita tantas vezes qntas necessárias.
Encha o balde ou o que quer que seja com água limpa uma última vez e coloque um pouquinho de amaciante (ou vinagre de maça ou condicionador para cabelos se vc usou uma fibra como seda ou lã**). Mergulhe seu trabalho uma última vez e deixe de molho por alguns minutos.
Retire a peça, esprema o excesso de água. O ponto ideal pra blocar o trabalho é qndo o trabalho está molhado, mas não pingando água. Vc pode enrolar a peça em uma toalha de banho, fazer um rolo e pisar em cima, ou colocar na máquina de lavar só pra centrifugar.
*água fria não só diminui a possibilidade de sua peça feltrar caso vc esteja usando lã. Ao usar água fria, vc evita que fios tingidos à mão soltem cor e/ou desbotem. Fora que seda perde o brilho qndo exposta à água quente ![]()
**qndo eu escrevo lã, estou me referindo à fibra, de carneiro, bodes, lhama etc., basicamente cabelo de bicho.
Agora vem a blocagem. Uma notinha: eu sou pão-dura, quero dizer, econômica e o preço do material “correto” em lojas especializada é mais do que eu gostaria de pagar. E quer saber o que mais? Uma caixa de papelão e alfinetes pra posteres fazem o mesmo trabalho que os materiais “certos”.
Primeiro, eu estico a peça na forma aproximada que eu quero:

Depois eu estico as pontas e coloco os primeiros alfinetes no lugar:

Não se preocupe muito com o qnto vc vai esticar agora, muito provavelmente, ao dar a forma final, vc vai ter que mudar um ou mais alfinetes de lugar.
Como no exemplo que eu estou usando a forma é triangular e eu quero que um dos lados seja reto, começo a colocar alfinetes nesse lado:

Continue esticando o trabalho e colocando alfinetes.

Não esquenta com as “barrigas” que estão se formando, depois vc vai voltar e colocar mais alfinetes nos espaços. Vamos dizer, que vc, como eu, não achou um papelão grande o bastante pra acomodar a peça toda. Faça como eu, dobre pro outro lado e alfinete:


Agora que vc já alfinetou a parte de cima, vamos alfinetar os lados e formar as pontas. Pro trabalho ficar mais simétrico, vc deve colocar um alfinete de um lado e outro diametralmente oposto ao primeiro:

Vc pode começar de cima pra baixo, de baixo pra cima, ou ir alternando:

Depois de alfinetar todas as pontas, eu resolvi fazer pontas menores entre elas:

Depois de fazer todas as pontas que eu queria, vc deve estar pensando que eu acabei, mas está enganado(a). Tem mais. Voltei ao topo do xale e coloquei mais alfinetes entre os já existentes:

Depois disso, dei uma geral no xale pra ver se estava tudo de acordo com meu gosto. Não estava. Como vc pode ver nas fotos abaixo, algumas pontas não estavam retinhas como eu queria. A solução é fácil, mova os alfinetes:


Se vc prestar atenção na última foto acima, vai notar que eu movi o alfinete bem na pontinha de baixo e o xale não está tão esticado na vertical qnto na primeira foto.
Depois de colocar todos os alfinetes que vc julga necessários, dê um passo pra trás e observe seu trabalho. Dependendo da fibra e da sua tensão ao tricotar vc vai conseguir esticar o trabalho um pouquinho mais ao alisar com as mãos. Vai virar uma brincadeira de escravos de Jó: tira (alfinete), põe (alfinete), deixa ficar…
Uma última dica, mantenha um desses aí abaixo por perto:
Dependendo do clima, vc vai precisar aspergir água durante o processo, pq o trabalho vai secando. O tempo que vc vai deixar seu projeto alfinetado vai depender da fibra (entre outras coisas), qnto mais tempo vc deixar seu tricot blocando, mais tempo vai durar a blocagem.
– Independente do tipo de fibra que vc está usando, o processo é o mesmo. Se vc tiver usado acrílico, depois de alfinetar a peça toda, cubra com uma toalha e passe a ferro. Vc vai “matar” o acrílico.
– Toda vez que vc lavar a peça vai precisar blocar de novo (a não ser que seja de acrílico). Dependendo da fibra, com o tempo o projeto perde a blocagem mesmo sem molhar. Aproveite a deixa pra lavar o tricot e blocar de novo. Nenhuma fibra que eu saiba (a não ser acrílico “morto”) mantém a forma depois de lavar – se aconteceu com vc, ou a fibra não foi devidamente saturada com água, ou vc comprou gato por lebre.
– Se vc está pensando que é muito trabalho, deixa eu dizer duas coisas:
Eu levei muito mais tempo escrevendo este PAP do que blocando Gail,
Tudo na vida dá trabalho, até respirar. E vamos combinar que é um pecado passar pelo trabalhão todo de tricotar uma peça em renda de tricot pra depois jogar a trouxinha num canto.
Publicado em Rendas, Tricô, Tutorial, knitting, tricot | 23 Comentários »
Só uma nota rapidinha pra contar uma novidade muito boa pra vcs. A Fleegle abriu uma lojinha no Etsy com coisas só pra rendas em tricot!
No momento elas está com vários novelos de laceweight maravilhosamente tingidos à mão, mas corre pq não vai durar. Os novelos são I M E N S O S, dá pra brincar por um bom tempo.
O que? Vc não sabe quem é Fleegle????!!!! A moça sabe tudo sobre renda em tricot e mais dez anos e tem um gosto impecável – qualidade garantida.
Agora deixa eu correr pq tenho uma encomenda pra colocar no correio. Não esqueci não, Mizia. Sua lã tá indo hoje. Depois eu volto pra postar sobre como blocar renda.
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Outro dia eu tive uma idéia pra mais um design, peguei lã e enquanto eu tricotava a idéia na cabeça, fui procurar um par de agulhas pra fazer uma amostra. Enfiei a mão na sacolinha onde guardo minhas agulhas circulares e …cadê que achei???? TODAS as minhas agulhas preferidas estavam enfiadas em algum projeto!
Percebi, naquele momento que eu estava precisando fazer um Feng Shui básico nos meus vários (sacolinhas, sacolões, caixas etc..) locais onde guardo meu material tricozistico.
Interessado(a) em participar tb? É fácil, vale qq coisa, desmanchar, acabar, doar, jogar fora…Vc pode colocar todos os seus projetos na lista ou apenas alguns. A idéia é ter mais agulhas disponíveis – ao invés de comprar mais toda vez que vc vê um projeto que queira fazer, mas nada impede vc de começar outro projeto após dar fim a um certo número de projetos que estão parados.
Eu comecei com o gás todo, dei uma geral na sala e desmanchei um monte de coisas meia boca, idéias não concretizadas, com apenas algumas carreiras tricotadas. Minha meta era terminar ou desmanchar todos os projetos abandonados e empacotados pelos cantos da casa, mas no meio do caminho tinha uma pedra, ou melhor, uma meia…
Eu falei sobre ela no último post. Depois de passar o fim de semana montando e tricotando várias versões de meia que não me agradaram,eu resolvi tentar terminar a meia com outra lã que eu fiei (mesma fibra, número diferente de cabos). E não é que deu certo?
Este pequeno sucesso me motivou a continuar. Tive que deixar a meta original de lado, pois o bonitinho está precisando de uma bolsa nova (tipo aquelas messenger bags, sabe?), então comecei uma assim que terminei a bendita meia.
Como eu estava desanimada com o projeto (de livrar as agulhas) e quase todos os outros (receita nova sendo criada, fiar) que estão ativos, resolvi brincar um pouco com cores:
Ese é um novelo de sock yarn, tingido por mim e já está disponível na minha lojinha.
Pra quem quer fiar mas não acha fibra pra comprar, tenho tb essa super wash aqui:

Eu tb tenho disponível um novelo de laceweight, tingido em degradê azul, mas não sei onde enfiei as fotos
. Dê um pulinho lá no Colours from Chaos pra ver.
P.S.: Eu não esqueci o tutorial sobre montagem em barra 1/1. Resolvi tentar fazer um filminho pra mostar como se faz, mas pra isso, preciso da máquina do bonitinho (que ele leva pro trabalho) e pilhas novas.
Publicado em Dyeing, Eu que fiz, Lãs, Meias, Rendas, Socks, Tingindo, Tricô, tricot | 7 Comentários »
Há algum tempo atrás eu ganhei de presente a coleção completa Knitting Treasury, da Barbara Walker. Folheando um dos livros, achei o gráfico para uma aranha muito legal e realística.
Comecei a brincar com a idéia até que cheguei a esta meia:

Um grande amigo viu a foto no meu Flickr e eu me ofereci pra tricotar um par para ele. Esse amigo é uma pessoa fantástica, o último cavalheiro na face da terra, e merece tudo de bom.
O problema é que eu estava de saco cheio de tricotar a bendita aranha, então resolvi usar um dos primeiros novelos que fiei pra fazer meias para ele:

O primeiro pé foi feito há quase um ano atrás, mas eu fui achando desculpas pra não fazer o segundo pé. Vai que o tamanho estava errado???
Em junho deste ano, eu finalmente dei pra ele o primeiro pé, ele experimentou e ficou perfeito! Prometi tricotar o segundo, voltei pra casa e…a sacola com a lã, agulhas e a receita ficou jogada no canto até sexta-feira passada.
Como minha pilha de coisas pra terminar estava muito grande, resolvi fazer uma faxina geral, desmanchar algumas coisas e terminar outras. O segundo pé de meia seria meu primeiro projeto.
Mandei ver nas agulhas e tricotei quase duas repetições completas (a meia tem 4). Nessa altura do campeonato, já era noite, eu estava cansada e a lã é preta. Resolvi parar e ver qnta lã eu ainda tinha.
Lembra que eu falei que era um dos primeiros novelos que eu fiei? Pois é, dois cabos, mais grosso do que eu estou fazendo normalmente e pra “melhorar”, o resto da fibra eu usei pra fazer outra lã com 3 cabos. Sabe qnta lã eu tinha pra terminar a meia? Menos de dois metros >:-(
Como eu já dei o primeiro pé pra ele, não tem como eu desmanchar uma repetição, diminuir o cano e aproveitar a lã pro segundo pé. Então resolvi tricotar outro par pra ele.
Eu não estava com paciência nesse último fim de semana pra fazer nada mais “complicado”, então, depois de passar o sábado todo tentando uma coisa e outra, no domingo comecei meias bem simples, em ponto meia.
Eu enchi essa lingüiça toda pra passar uma dica pra vcs. Eu venho tricotando desde os meus 11/12 anos e com o passar do tempo, menos eu gosto de barras sanfonadas. O problema é a montagem dos pontos – fica aquela coisa meio embabadada, que não tem nada a ver com o resto do trabalho, sabe cumé?
Pois bem, outro dia descobri um novo jeito de montar pontos especificamente desenvolvido pra barra 1/1. Fica igualzinho a tricot feito à máquina. Espia, só:

Como vc pode ver, esta montagem é bastante elástica:
Vou tentar explicar aqui como se faz. As instruções são complicadas, mas os movimentos, bem simples. Estou usando um fio vermelho e outro marrom (os dois fiados por mim
) pra facilitar a visualização.
Meça uma quantidade de fio 3 a 4 vezes mais longa que a largura do trabalho e faça um nó corrediço na metade da distância (como pra fazer uma montagem normal):
Na foto eu usei os dois fios pra fazer o nó pq eu ia desmanchar depois:
Segurando os fios como na foto acima, vc vai, basicamente, fazer aquele movimento que significa “mais ou menos”. Sabe qualé?
Passe o fio que vc está segurando com o polegar direito ao redor da agulha, de trás pra frente:
Agora, usando o indicador, passe a outra “perna” do fio (em vermelho na foto) sobre a agulha, da frente pra trás:

Com um movimento do pulso, posicione os fios de tal maneira que um fique abaixo e um pouco atrás do outro. Enfie a agulha por trás do fio mais alto e peque o fio inferior:

Agora vc vai virar o pulso pro lado contrário, fazendo o fio que estava em baixo ir pra cima e o que estava em cima, ir pra baixo, assim:

Se vc prestar atenção à posição dos meus dedos nas fotos, fica mais fácil entender os movimentos de pulso que eu estou fazendo.
Mais uma torção do pulso e o fio que estava em baixo (vermelho) agora está em cima, passe a agulha por trás do fio:
Continue repetindo esses movimentos, alternando os fios. Parece super difícil e vc talvés precise tentar algumas vezes antes de conseguir fazer direito, mas é fácil, eu juro. O segredo é a torção dos fios por baixo da agulha.
Qndo vc tiver montado o número de pontos necessários, faça um meio nó e comece a tricotar.
P.S.: Acabei de checar o post e as fotos estão meio confusas. Vou pedir pro bonitinho tirar mais fotos, usando fios mais claros e tentar de novo. Se vc conseguir fazer esta montagem com o tutorial meia boca acima, ganha um doce.
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